O Levadia Tallinn vai ser o novo campeão da Estónia.
Apesar de ter nascido apenas em 1998, e competir desde a época seguinte na Meistriliga, fruto do apoio da metelúrgica OÜ Levadia ao FK Olümp Maardu e logo de seguida da fusão com o Tallinna Sadam (havia sido 2º classificado em 1998), o Levadia vai para o 7º título de campeão nacional em 12 anos de existência.
A maior parte dos jogadores é do próprio país, o que é compreensível dadas as limitações financeiras de quem participa num campeonato como este e o amadorismo característico da modalidade no país.
Entro agora, naquelas que são as motivações para a minha escrita e a pergunta a rebater: Porque tem o campeão de um país, sistematicamente, de jogar 2 “qualifying rounds” e um play-off para jogar na Liga dos Campeões, enquanto os classificados em 2º, 3º e 4º de alguns países têm acesso directo ou menos rounds de qualificação para fazer?
É óbvio que sabemos todos porquê. Mas é justo? Isto é, dentro de uma perspectiva de modelo europeu do desporto baseado na qualificação pelo mérito, na promoção da igualdade, etc., etc., ver um campeão desde logo resignado a ter que jogar a Liga Europa (isto, se passar o play-off – este primeiro ano, já não passou)? E assim permitir a divergência total entre o futebol europeu dos clusters ocidentais face ao “futebol dos pobres”?
Na minha opinião isto não tem cabimento. Não é nada justo. Se se quer uma UEFA unificadora, isto tem de acabar, e optar por um misto entre a Champion’s e a antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus, sem cabeças de série, e um clube por país (excepto o país do vencedor, que eventualmente poderiam ser dois). A mistura far-se-ia por via do sistema de grupos em vez de eterno knock-out desde a primeira eliminatória.
Se assim não for, Platini e companhia devem deixar de fazer figura de falsos moralistas, e permitir aos maiores clubes europeus fazer a sua própria Liga dos Campeões, todos contra todos, sem Debrecen’s e Unirea’s a “empatar” as lojas e a desmobilizar espaços de calendário que poderiam ser bem mais lucrativos.
Confesso que isto do “damos hipóteses aos mais fracos”, já me irrita, pois são hipóteses tão condicionadas que jamais poderão esses clubes pensar em ganhar taças europeias, ou sequer em ouvir o hino da champion’s tocar no seu estádio. É que também os milhares (nunca milhões) que ganharem serão eternamente insuficientes para projectar o clube para um nível superior pois, já todos percebemos, esses patamares estão ocupados pelos galos que gravitam no G14 e não podem ter o seu território sequer ameaçado.
O Levadia, desde 2000 e sempre que foi campeão acabou assim:
- 2000/2001: eliminado no 2º round de qualificação pelo Steaua Bucareste (não foi à CL)
- 2001/2002: eliminado no 1º round de qualificação pelo Bohemians da Irlanda (não foi à CL, nem perto esteve)
- 2005/2006: eliminado no 1º round de qualificação pelo Dinamo Tbilisi (não foi à CL, nem perto esteve)
- 2007/2008: eliminado no 2º round de qualificação pelo Estrelha Vermelha (não foi à CL)
- 2008/2009: eliminado no 1º round de qualificação pelo Drogheda (não foi à CL, nem perto esteve)
- 2009/2010: eliminado no 3º round de qualificação pelo Debrecen (não foi à CL, mas esteve perto do Play-off !). Relegado para o play-off da Lifa Europa, saíu em sorte (ou azar, pois não era cabeça-de-série) o Galatasaray e foi eliminado.
Se tivéssemos nascidos estónios, e fossemos adeptos fanáticos do desporto rei, acham que valia a pena ter esperanças neste modelo “justo” da UEFA?
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